Mensagem Final do Seminário Nacional da Vida Religiosa Consagrada 2018

Centro de Eventos Pe. Victor Coelho de Almeida – Aparecida/SP.
04 a 08 de maio de 2018
Tema: “Mística e Profecia na missão comunitária”.
Lema: “Saiamos, às pressas, com Maria, aonde clama a vida”.

Nós, cerca de 600 religiosas e religiosos participantes do Seminário Nacional da Vida Religiosa Consagrada, em Aparecida-SP, de 5 a 8 de maio de 2018, renovamos nossa missão, com Maria Mãe da humanidade e companheira dos pobres, de “sair às pressas, aonde clama a vida”.

O mundo nos toca e interpela. A Igreja é parte dele, nossa consagração está a serviço da vida, e nossos carismas se orientam a partir do Reino de Deus.
Escutamos o clamor dos pobres e da Mãe Terra, não queremos ficar indiferentes ou fugir da realidade: com Maria, assumimos o desafio de dizer “sim” ao mistério de Deus, que se encarna na história através de nós.

Nosso País encontra-se numa situação sombria, fria e estéril do ponto de vista social e político. Está se consolidando um clima de ódio, violência e intolerância, particularmente contra os migrantes e os povos indígenas, com manifestações preocupantes de homofobia e extermínio da juventude negra. Denunciamos a progressiva concentração de riqueza e renda, bem como a expropriação da terra, do trabalho e dos direitos que o povo brasileiro tem conquistado à custa de muitos anos de luta e resistência; há um ataque estrutural à democracia e ao direito do povo de definir um projeto de País em que se reconheça.

Também a Vida Religiosa Consagrada pode esfriar-se, esquecer a profecia de Jesus, ceder à religião do capital, isolar-se, ser autorreferencial, sem sair de suas zonas de conforto, abandonando-se a um pessimismo reprodutor.

Mas a primavera bate à nossa porta, tempo de fragilidade que precisamos reconhecer, assumindo também as crises como ocasião para forjar um mundo novo e deixar nascerem os brotos que o Espírito de Deus está semeando. Acolher e fomentar esta primavera, também dentro da Igreja, é a missão da VRC.

Como numa árvore, em que as raízes sustentam e alimentam o tronco, assim nossa profecia está enraizada no silêncio contemplativo, nas comunidades inseridas e orantes, nas Galileias de hoje, tocando a carne de Cristo na carne dos pobres. Dessas raízes, nos vem a seiva da vida!

Na sociedade fragmentada e individualista de hoje, adoecida pela solidão, o testemunho da VRC reforça-se se suas comunidades forem sinal de unidade nas diferenças, de cuidado e amor recíproco. Esse é o tronco da árvore da vida, que oferece apoio e alegria verdadeira a quem precisa de amparo e sentido pleno!

Nosso encontro de partilha, graças a Deus, destacou que ainda há muitos bons frutos: testemunhos corajosos de serviço aos povos da Amazônia, aos migrantes e empobrecidos, diálogo inter-religioso e vida com os mais pobres. Nosso empenho no mundo da educação e em outras estruturas consolidadas precisa dialogar e interagir de forma permanente com essas experiências inseridas. Pode crescer a aliança entre a VRC e as iniciativas mais vivas e criativas da sociedade de hoje, como a economia solidária, as diversas formas de política participativa e o protagonismo corajoso das jovens gerações.

Aprendemos do “Bem Viver” dos povos ameríndios que o sentido da vida está em oferecer, unidos, todas as nossas potencialidades a serviço do Bem Comum.
Maria saiu de si e se deixou encontrar por Deus, que a surpreendeu e a encheu de amor e coragem. Os mártires e profetas da caminhada também disseram seu sim incondicional e brilham hoje para nós como estrelas-guia.

Saiamos, às pressas, com nossa Mãe e nossos irmãos mártires, ao encontro da vida que clama por dignidade e plenitude!

Aparecida-SP, 08 de maio de 2018

 

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